REVISTA DA ENVOLVENTE DO EDIFÍCIO JANELAS | FACHADAS | VIDRO | PERSIANAS | TOLDOS | PORTAS | AUTOMATISMOS Junho 2026 31 2026/3 PERFIL www.novoperfil.pt Preço:11 € | Periodicidade: 5 edições por ano www.aluplast.net neo advance - a classe extra Com o neo advance, a nossa plataforma neo assume uma nova dimensão: uma linha de design não só tecnicamente impressionante, mas também emocionalmente inspiradora. Desenvolvida para satisfazer as elevadas exigências dos fabricantes de janelas, arquitetos e distribuidores especializados, estabelece novos padrões em termos de flexibilidade, eficiência e estética. Um diferencial fundamental: o neo advance integra-se perfeitamente na plataforma existente. Soluções multissistema, como opções de janelas de correr e de abrir, além de perfis complementares compatíveis, abrem possibilidades de design totalmente novas, proporcionando máxima liberdade no planeamento e na execução. • Uf = 1,00 W/m²K • Uw = 0,83 W/m²K1) • Uw = 0,59 W/m²K melhor variante possível 2) • woodec e aludec como superfícies standard • Proteção contra roubo até RC2 Profundidade de 85 mm. Compatível com a plataforma neo. Combina design e funcionalidade. Sistema combinado de vedação dupla e tripla. 1) Com vidro triplo standard, Ug = 0,6 W/m²K e Psi = 0,040 W/mK 2) Com vidro triplo, Ug = 0,4 W/m²K e Psi = 0,030 W/mK
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PERFIL SUMÁRIO Edição, Redação e Propriedade INDUGLOBAL, UNIPESSOAL, LDA. Avenida Defensores de Chaves, 15, 3.º F 1000-109 Lisboa (Portugal) Telefone (+351) 215 935 154 E-mail: geral@interempresas.net NIF PT503623768 Gerente Aleix Torné Detentora do capital da empresa Grupo Interempresas Media, S.L. (100%) Diretora Gabriela Costa Equipa Editorial Gabriela Costa, Joana Peres, José Luis Paris, Mònica Escolà Marketing e Publicidade Frederico Mascarenhas redacao_novoperfil@interempresas.net www.novoperfil.pt Preço de cada exemplar 11 € (IVA incl.) Assinatura anual 66 € (IVA incl.) Registo da Editora 219962 Registo na ERC 127424 Depósito Legal 468458/20 Distribuição total +8.500 envios. Distribuição digital a +7.400 profissionais. Tiragem +1.100 cópias em papel. Edição Número 31 – Junho de 2026 Estatuto Editorial disponível em https://www.novoperfil.pt/ EstatutoEditorial.asp Impressão e acabamento Lidergraf Rua do Galhano, n.º 15 4480-089 Vila do Conde, Portugal www.lidergraf.eu A Revista Novoperfil é Media Partner Principal da: Parceiros: Os trabalhos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos editoriais desta revista sem a prévia autorização do editor. A redação da Novoperfil adotou as regras do Novo Acordo Ortográfico. Smart home and building solutions. Global. Secure. Connected. EDITORIAL 8 ATUALIDADE 8 AGI Open House 2026 realiza-se a 24 de setembro 14 Itecons organiza simpósio sobre janelas e fachadas eficientes em Coimbra 16 Envolvente é elemento dinâmico nos edifícios do futuro 18 Uma oportunidade estratégica para o setor das janelas, portas e fachadas eficientes 26 A construção industrializada e o papel das soluções Saint-Gobain no desempenho do edifício 28 CarmoForm cresce 20% e quer que metade da atividade venha do estrangeiro em três anos 32 Já nasceu a primeira co-factory da Europa 34 Novos produtos e plataforma digital reforçam impacto do CLASSE+ na envolvente do edifício 48 O novo salto do CLASSE+ na eficiência 50 Evolução dos motores tubulares Able/ V2 para persianas, estores e toldos: conectividade, autonomia e controlo inteligente 52 Fineo Solar Control reforça a proteção térmica dos edifícios no verão 54 Nova edição do Prémio de Inovação R+T 58 Segurança, conforto e estabilidade para projetos de construção 62 Exlabesa Architecture reinterpreta a ligação entre interior e exterior 64 Roto Solid C: dobradiça oculta e limitador de abertura para portas de alumínio modernas 66 AEPA antecipa 2026 como ano decisivo para a evolução das portas automáticas 68 Giesse apresenta a TFV ECO 70 A espuma concebida para enfrentar sem alterações o processo de lacagem e anodização 72 A instalação também faz parte da janela 74 Cortizo avança com a construção da sua nova fábrica em Chaves 76 Gealan-Lumaxx aumenta a superfície envidraçada e valoriza a eficiência energética 78 Estudo da APFAC revela melhoria histórica no desempenho dos adesivos cimentícios 80 Janelas Velux para telhados planos criam ambientes luminosos, saudáveis e energeticamente eficientes 42 Persyvex e Topfix da Renson: proteção solar exterior para superfícies envidraçadas de geometria singular 44 Na continuação do seu rebranding, ANFAJE lança novo site 46 THE VERY BEST: O melhor da Envolvente do Edifício 37
8EDITORIAL A inovação, a eficiência e a sustentabilidade continuam a redefinir a Envolvente do Edifício. É precisamente esta transformação que destacamos na grande reportagem desta última edição antes das férias de verão, onde analisamos as principais tendências que marcaram o primeiro semestre do ano (apresentadas na Tektónica 2026) e o rumo que o setor está a seguir. A envolvente assume hoje um papel cada vez mais ativo no desempenho global dos edifícios, integrando soluções capazes de responder aos desafios da descarbonização, da eficiência energética, da digitalização e do conforto dos utilizadores. Com a ajuda de algumas das mais relevantes empresas especializadas do setor, damos a conhecer uma nova geração de soluções onde a integração tecnológica, a rastreabilidade dos materiais, a industrialização dos processos, a construção leve, a automação e a valorização do ciclo de vida dos edifícios ganham protagonismo. Mais do que produtos isolados, o mercado evolui para sistemas completos e inteligentes, preparados para responder às exigências regulamentares e às expectativas de uma construção mais sustentável, eficiente e competitiva. Neste número da sua revista regressa também o dossier ‘The Very Best’, que reúne uma seleção de soluções, produtos, equipamentos e tecnologias que espelham a excelência, a capacidade de inovação e a qualidade da oferta da indústria da Envolvente do Edifício em Portugal. Numa edição diversificada, apresentamos-lhe ainda um conjunto de dossiers dedicados a temas centrais para o setor: a construção industrializada, enquanto novo paradigma para edifícios mais rápidos, eficientes e sustentáveis; os sistemas de fecho especiais, com soluções que reforçam o desempenho, o conforto e a segurança; os sistemas de sombreamento, cada vez mais determinantes na eficiência energética e no bem-estar dos utilizadores; e as últimas tendências em portas, onde analisamos a evolução tecnológica, funcional e estética destes sistemas, acompanhando as novas exigências da arquitetura contemporânea. Também de leitura obrigatória é a reportagem dedicada ao novo sistema CLASSE+ da ADENE, que apresenta novos produtos, uma metodologia revista e uma plataforma digital destinada a reforçar a qualificação da informação técnica e a apoiar uma maior eficiência energética na envolvente dos edifícios. A nova geração da envolvente do edifício Estratégia Industrial Verde entra em fase de elaboração com horizonte até 2040 A futura Estratégia Industrial Verde vai definir prioridades para a industrialização verde, identificar oportunidades de investimento e estabelecer medidas destinadas a reforçar a competitividade da economia num contexto de transição energética. O processo agora formalizado inclui fases de auscultação, definição de metas e preparação de um roteiro de execução. O Governo aprovou em junho o arranque dos trabalhos da proposta da Estratégia Industrial Verde, um instrumento previsto na Lei de Bases do Clima destinado a apoiar a transição climática do setor industrial e a reforçar a competitividade sustentável das empresas. A proposta vai ter um horizonte temporal até 2040 e fica a cargo da ADENE - Agência para a Energia e do IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, em articulação com o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), e a DireçãoGeral da Economia (DGE). O diploma fixa orientações, conteúdos e calendário para concretizar o instrumento previsto na Lei de Bases do Clima, maximizando o valor económico associado à transição energética, promovendo investimentos em atividades de elevado valor acrescentado, aproveitando a competitividade da eletricidade renovável para reduzir custos operacionais e mitigar o défice de produtividade nacional, e priorizando a modernização e descarbonização da base industrial existente, bem como a convergência com os instrumentos de política industrial europeus.
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10 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.NOVOPERFIL.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Transporte vertical de materiais reforça a eficiência em obra, destaca GEDA O transporte vertical de materiais através de guinchos ou monta-cargas pode contribuir para aumentar a eficiência e a segurança nas obras de construção, ao reduzir o tempo de movimentação de cargas, o esforço físico das equipas e os riscos associados às operações em altura. Segundo a GEDA, representada em Portugal pela Elevação Segura, estes equipamentos permitem transportar materiais, ferramentas e componentes de construção de forma segura e eficiente, reduzindo as deslocações dos trabalhadores no estaleiro e tornando os processos de trabalho mais previsíveis. A fabricante acrescenta que, em obras onde a movimentação diária de cargas pesadas é uma constante, o acesso adequado em altura pode traduzir-se em ganhos de produtividade e em melhores condições de segurança. Technal lança GeniusID para digitalizar a gestão e manutenção de edifícios A Technal lançou o GeniusID, uma nova solução digital concebida para funcionar como ‘bilhete de identidade’ dos sistemas instalados nos edifícios. A ferramenta associa um código QR aos caixilhos, permitindo consultar de forma rápida e imediata informação técnica detalhada. O GeniusID é uma solução inovadora que permite consultar dados técnicos dos sistemas instalados através de código QR associado aos caixilhos, simplificando processos de manutenção, reabilitação e gestão dos ativos imobiliários. A nova ferramenta surge para centralizar dados essenciais num único ponto de acesso, identificando referências de perfis e acessórios, acabamentos, tratamentos aplicados e identificação do instalador responsável. Ao garantir que cada sistema instalado mantém uma ligação permanente à sua informação técnica, o GeniusID contribui para processos mais rápidos, decisões mais informadas e uma maior eficiência na manutenção e posteriores intervenções.
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12 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.NOVOPERFIL.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER PT2030 abre dez milhões de euros para projetos empresariais de investigação e desenvolvimento As micro, pequenas e médias empresas portuguesas já se podem candidatar a um novo apoio de dez milhões de euros do PT2030 para projetos de investigação industrial e desenvolvimento experimental. O concurso, promovido pelo Compete 2030 e pelos programas regionais Lisboa 2030 e Algarve 2030, financia iniciativas ligadas a programas europeus de I&D e prevê taxas de comparticipação que podem atingir 80%, ou 85% no caso das entidades do sistema científico e tecnológico. O PT2030 dispõe de uma dotação global de dez milhões de euros e destina-se a apoiar projetos que contribuam para o desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos, bem como para a melhoria das soluções já existentes. Segundo o Governo, serão financiadas operações individuais ou em copromoção que assegurem o cofinanciamento nacional de entidades portuguesas integradas em projetos europeus de investigação e desenvolvimento, com destaque para iniciativas enquadradas na Rede Eureka. Open Day no Passive House Center partilha conhecimento técnico e soluções construtivas A primeira edição da iniciativa, realizada em Pombal, proporcionou uma experiência de aprendizagem prática sobre os princípios Passive House, através de sessões técnicas dinamizadas por especialistas e empresas parceiras. No dia 16 de junho, realizou-se a primeira edição do Open Day no Passive House Center, em Pombal. Ao longo do dia, 45 participantes tiveram a oportunidade de participar em cinco workshops práticos dedicados a diferentes áreas da construção de elevado desempenho, num formato rotativo que permitiu o contacto com todas as temáticas abordadas. Organizado pela Passivhaus Portugal, Homegrid e Layve, o evento contou com o contributo dos parceiros Artebel, Daikin, Fibran, Danosa, Reynaers Aluminium, ClimaCom, Soudal, ISO-Chemie, Perfisa, Rothoblaas, Grupo Preceram, Mapei e Gomano, que partilharam conhecimento técnico, soluções construtivas e experiências práticas diretamente aplicáveis em obra. Os workshops abrangeram temas como a envolvente do edifício, os sistemas construtivos, a ventilação, a climatização e o teste de estanquidade ao ar, proporcionando aos participantes um contacto próximo com os princípios Passive House e a sua aplicação em contexto real. A organização agradeceu a participação de todos os intervenientes e destacou o sucesso desta primeira edição, sublinhando a importância da formação prática e da capacitação técnica para promover uma construção com maior rigor, desempenho e qualidade.
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14 PERFIL EVENTOS AGI Open House 2026 realiza-se a 24 de setembro A AGI anuncia a realização do AGI Open House 2026, um evento exclusivo que terá lugar no próximo 24 de setembro, nas suas instalações, em Vila Nova de Gaia, reunindo profissionais e especialistas do setor dos materiais de construção, arquitetura e design de exteriores. Concebido como um ponto de encontro entre inovação, conhecimento e networking, o AGI Open House convida arquitetos, engenheiros, instaladores, designers e responsáveis pelas compras a participar numa jornada dedicada à descoberta de soluções e tendências que estão a transformar o setor. Ao longo do Agi Open House, os participantes terão a oportunidade de: • Conhecer de perto materiais e aplicações inovadoras; • Entrar em contacto direto com especialistas e marcas de referência; • Assistir a apresentações técnicas especializadas; • Explorar uma área de exposição dedicada; • Participar em workshops práticos. Mais do que um evento, o AGI Open House posiciona-se como uma plataforma de intercâmbio de conhecimento e inspiração, promovendo o contacto direto entre profissionais, ideias e soluções, num ambiente acolhedor e dinâmico. O programa inclui uma ampla variedade de apresentações ao longo do dia, bem como momentos de networking, zonas de exposição e sessões práticas que reforçam o caráter interativo e experiencial da iniciativa. Com um formato cuidadosamente concebido para maximizar a proximidade e a qualidade da experiência, o evento é exclusivo e com lotação limitada, o que reforça a importância de uma inscrição antecipada. n A Revista NovoPerfil é Media Partner do AGI Open House. As INSCRIÇÕES já estão abertas: https://agi.pt/evento/agi-open-house-2026/#apply A participação requer um código de convite. Caso não disponha de um, deverá contactar a equipa da AGI para solicitar o seu acesso.
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16 PERFIL EVENTOS Itecons organiza simpósio sobre janelas e fachadas eficientes em Coimbra A eficiência energética, a sustentabilidade e a inovação tecnológica vão estar em destaque no Simpósio E2H – Janelas e Fachadas Eficientes, que decorre nos dias 10 e 11 de dezembro de 2026. A iniciativa pretende afirmar-se como um espaço de partilha de conhecimento e de apresentação de soluções para um setor cada vez mais relevante na renovação do parque edificado nacional. O Simpósio E2H – Janelas e Fachadas Eficientes vai realizar-se nos dias 10 e 11 de dezembro de 2026, nas instalações do Itecons, em Coimbra, reunindo investigadores, estudantes, profissionais, empresas e outros agentes do setor para debater os principais desafios e oportunidades associados à eficiência das envolventes dos edifícios. Organizado pelo Itecons - Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade, com a colaboração da Associação Nacional dos Fabricantes de Janelas Eficientes (ANFAJE), o evento tem como objetivo fomentar a discussão e a reflexão em torno das soluções mais inovadoras para janelas, portas, fachadas e sistemas de proteção solar, numa altura em que a renovação energética dos edifícios assume um papel central nas políticas europeias e nacionais. O programa vai contar com a participação de oradores convidados e com a apresentação de comunicações técnico-científicas por parte de estudantes, investigadores, profissionais e representantes da indústria. Os organizadores convidam os interessados a submeter trabalhos relacionados com estudos, tecnologias, produtos ou casos de aplicação prática na área das janelas e fachadas eficientes. Entre os principais temas em debate vão estar o desempenho térmico e energético, o controlo solar e a iluminação natural, a ventilação e a qualidade do ambiente interior, o desempenho acústico e estrutural, a sustentabilidade e avaliação ambiental, os sistemas de certificação e rotulagem, os ensaios e validação experimental, as políticas e legislação aplicáveis, a digitalização de processos, bem como o design e a expressão arquitetónica. O simpósio vai ainda destacar a apresentação de casos de estudo e de soluções inovadoras desenvolvidas pela indústria e pela comunidade científica.
17 PERFIL EVENTOS CONTEXTO O enquadramento do evento está intimamente ligado à mais recente republicação da Diretiva Europeia sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (UE/2024/1275), em vigor desde maio de 2024, que procura acelerar o ritmo de renovação do parque edificado europeu, com especial enfoque nos edifícios com pior desempenho energético. Segundo os organizadores, Portugal apresenta um elevado potencial de renovação dos seus edifícios. De acordo com o Plano Nacional de Renovação de Edifícios, este processo deve privilegiar não apenas a eficiência energética e a descarbonização, mas também a melhoria do conforto térmico dos ocupantes e da salubridade dos espaços interiores. Nos últimos anos, os programas de incentivo à eficiência energética e à reabilitação, enquadrados pelas metas A submissão de resumos está aberta até ao dia 4 de setembro. A comunicação da sua aceitação realiza-se a 18 de setembro e a submissão final está agendada para 4 de dezembro. Mais informações sobre o evento e sobre a submissão de comunicações estão disponíveis no website oficial do simpósio e através do endereço de correio eletrónico e2h@itecons.uc.pt nacionais e europeias de descarbonização, têm impulsionado a procura por soluções mais avançadas no setor das janelas e fachadas. A melhoria do desempenho térmico e acústico das janelas, a utilização de vidro duplo ou triplo, a adoção de caixilharias com corte térmico e o reforço da estanquidade dos sistemas têm vindo a ganhar relevância. A exigência de produtos com classificação superior, impulsionada por alguns programas de financiamento, contribuiu igualmente para elevar os padrões técnicos do setor. Neste contexto, o desenvolvimento de soluções cada vez mais eficientes e sustentáveis assume-se como uma prioridade para fabricantes, universidades e centros de investigação, reforçando a importância de iniciativas como o Simpósio E2H enquanto espaço de partilha de conhecimento e promoção da inovação. n A Revista NovoPerfil é Media Partner do Simpósio E2H – Janelas e Fachadas Eficientes.
PERFIL ENVOLVENTE É ELEMENTO DINÂMICO NOS EDIFÍCIOS DO FUTURO Num setor cada vez mais evoluído e eficiente, a integração tecnológica de soluções, o crescente desempenho técnico e energético e a sustentabilidade dos edifícios marcam as tendências que ditam as novidades do mercado da envolvente do edifício em 2026. A NovoPerfil conversou com algumas das principais empresas que marcaram presença na última edição da Tektónica, e apresenta, em reportagem, os desenvolvimentos que comprovam o dinamismo do setor. Gabriela Costa A edição de 2026 da Tektónica – Feira Internacional da Construção encerrou portas com um crescimento expressivo em todos os indicadores, consolidando-se como evento de referência para o setor na Península Ibérica. Esta 28ª edição reuniu 400 expositores (mais 22%, face a 2025) oriundos de 15 países, e bateu recordes de participação, ultrapassando os 39.000 visitantes (mais 30% que no ano passado). Como habitualmente, a NovoPerfil esteve presente na FIL, em Lisboa, como Media Partner da feira, e conversou com várias empresas do setor da envolvente do edifício que participaram no certame. 18 REPORTAGEM
PERFIL 19 REPORTAGEM COVIPOR “O Lumiglass ID permite acesso imediato a toda a informação técnica e de desempenho do vidro” A redefinição da envolvente assenta hoje em “três eixos incontornáveis: a eficiência energética avançada, a descarbonização real e a digitalização transparente”. Segundo a Covipor, o mercado está a afastar-se definitivamente da lógica do produto ‘commodity’ para exigir soluções de alto valor acrescentado técnico. “A envolvente deixou de ser uma barreira estática para passar a ser um elemento dinâmico de gestão energética do edifício. Isto implica a integração de vidros duplos e triplos com atributos técnicos de última geração e tecnologias que combatem os diferentes vetores da sua capacitação – térmica (isolamento e controlo solar), atenuação do ruído, segurança ativa e passiva”, explica, em entrevista à NovoPerfil, Francisco Ferreira, diretor técnico na Covipor Industries. A circularidade e a necessidade de auditar os materiais ao longo do ciclo de vida do edifício “já não são aspirações, mas sim exigências regulamentares e de mercado que obrigam à adoção de processos industriais mais limpos e rastreáveis”, sublinha. Neste contexto, como está a empresa a responder aos novos requisitos do setor, nomeadamente em desempenho térmico e acústico, durabilidade, rapidez de instalação e redução da pegada carbónica? “A nossa resposta assenta no rigor da engenharia industrial e no alinhamento estratégico com o novo panorama ESG (Environmental, Social, and Governance). Na Covipor, assumimos um envolvimento ativo com as metas de descarbonização e antecipamos o futuro regulatório através da apresentação do nosso Relatório de Sustentabilidade. Este documento reflete o cumprimento voluntário e antecipado dos deveres de transparência impostos pela Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD — Directiva (UE) 2022/2464), transposta para a legislação nacional”. No plano puramente técnico, “este enquadramento traduz-se na otimização contínua das nossas composições de vidros duplos e triplos. Garantimos o cumprimento rigoroso dos requisitos mais exigentes para vãos envidraçados eficientes, combinando revestimentos de baixa emissividade e controlo solar avançados com um desempenho acústico superior”, detalha Francisco Ferreira. Para responder às exigências de durabilidade e rapidez de instalação, o sistema Lumiglass ID atua ele próprio como “o braço tecnológico desta política de sustentabilidade e transparência”. Ao gravar a laser a identificação única diretamente no vidro, “asseguramos que o desempenho prometido em projeto e declarado nas nossas métricas corporativas corresponde exatamente àquilo que está instalado na caixilharia. O serralheiro, o instalador ou o fiscal de obra têm acesso instantâneo a todas as especificações e orientações do produto através de uma simples leitura no local, minimizando erros, eliminando tempos mortos em obra e garantindo a fiabilidade técnica que o mercado exige”, diz ainda. A propósito, este produto foi o desenvolvimento mais relevante que a empresa apresentou na Tektónica 2026, e que mereceu a distinção do Prémio Inovação na categoria de Serviços. O Lumiglass ID é um passaporte digital de produto que se materializa através de um código QR único, gravado diretamente no vidro, sem comprometer a sua integridade ou estética”, sublinha o diretor técnico da Covipor. Esta solução “revoluciona a envolvente ao introduzir a digitalização e a rastreabilidade total no seio da cadeia de valor. O Lumiglass ID permite o acesso imediato a toda a informação técnica e de desempenho do vidro, integrando estes dados diretamente em modelos digitais”, o que “confere uma enorme mais-valia na transparência técnica, no escrutínio das propriedades reais
PERFIL 20 REPORTAGEM do vidro e na facilitação de processos de certificação ambiental de edifícios”, explica. “Numa altura em que celebrámos 75 anos de atividade, este sistema representa o nosso compromisso em dotar o mercado de ferramentas que valorizam o ativo imobiliário através do rigor dos dados”. CRUZFER “Privilegiamos sistemas exteriores que reduzem os ganhos térmicos antes de atingirem o vidro” Na opinião de Luís Gameiro, técnico comercial da Cruzfer, a envolvente do edifício “deixou de ser encarada apenas como um elemento de separação entre o interior e o exterior” e hoje “assume um papel ativo na eficiência energética, na sustentabilidade e no conforto dos edifícios”. As principais tendências que estão a redefinir o setor passam “pela crescente valorização da proteção solar exterior como primeira barreira aos ganhos térmicos, pela integração de estratégias passivas de climatização e ventilação natural, pela automação dos edifícios e pela procura de soluções mais duráveis, com menor necessidade de manutenção e reduzido impacto ambiental”. Paralelamente, “a reabilitação energética do parque edificado continua a ganhar importância, tornando a proteção solar um elemento essencial para melhorar o desempenho dos edifícios existentes sem intervenções estruturais significativas”, acredita o responsável. Respondendo às novas exigências do mercado “através da seleção de soluções tecnicamente evoluídas e adaptadas às diferentes tipologias de edifícios”, a Cruzfer privilegia, na área da proteção solar, “sistemas exteriores que reduzem significativamente os ganhos térmicos antes de estes atingirem o vidro, contribuindo para diminuir o consumo energético associado à climatização. Trabalhamos igualmente com fabricantes europeus que desenvolvem produtos de elevada durabilidade, sujeitos a rigorosos ensaios de resistência ao vento, corrosão e envelhecimento”. Segundo Luís Gameiro, outro aspeto cada vez mais valorizado é “a facilidade de integração em obra. A disponibilização de desenhos técnicos, apoio à prescrição e soluções construtivas bem definidas simplifica o trabalho de arquitetos, projetistas e instaladores, reduzindo tempos de execução e minimizando imprevistos”. A nível de novidades, na Tektónica 2026, a Cruzfer reforçou a sua aposta em soluções de proteção solar exterior “que contribuem ativamente para o desempenho energético dos edifícios. Mais do que simples elementos de sombreamento, estes sistemas assumem hoje um papel determinante no controlo da radiação solar, na redução das necessidades de climatização e na melhoria do conforto térmico e visual dos utilizadores”. Como sublinha Luís Gameiro, a empresa apresentou sistemas de estores de lâminas orientáveis e telas exteriores de elevada resistência ao vento, “capazes de responder às exigências da arquitetura contemporânea, conciliando desempenho técnico, estética e durabilidade”. De acordo com o técnico comercial da Cruzfer, “assistimos a uma crescente integração da automação e da gestão inteligente destes sistemas, permitindo ajustar automaticamente o seu funcionamento às condições climatéricas, aumentando a eficiência e prolongando a vida útil dos equipamentos. Esta visão está igualmente alinhada com o compromisso da Cruzfer na promoção da construção de elevado desempenho energético, através da colaboração com a comunidade Passive House, contribuindo para a divulgação de soluções passivas que permitem edifícios mais eficientes e confortáveis”.
PERFIL 21 REPORTAGEM FIBRAN IBERIA “A evolução da envolvente depende da forma como os materiais são integrados e compatibilizados nos pontos críticos” De acordo com Hugo Andrade, responsável de Marketing na Fibran Iberia, a primeira grande tendência do setor “é a passagem de uma análise centrada apenas no consumo energético durante a utilização do edifício para uma avaliação mais abrangente do seu desempenho ao longo de todo o ciclo de vida. A escolha dos materiais será cada vez mais influenciada não apenas pelo seu desempenho térmico, mas também pela durabilidade, utilização eficiente de recursos, manutenção, possibilidade de recuperação e informação ambiental disponível”, defende. A segunda tendência “é a crescente importância da reabilitação energética. Uma grande parte do parque edificado europeu necessita de intervenção, o que exige soluções que permitam melhorar o desempenho térmico sem introduzir cargas excessivas, alterar significativamente as cotas existentes ou aumentar a complexidade da obra”. A empresa verifica também “uma evolução para soluções mais industrializadas, leves e secas, com maior preparação fora do local de aplicação. Esta abordagem permite reduzir tempos de execução, dependência de processos húmidos, desperdícios e variabilidade em obra”. Outra tendência fundamental é, na perspetiva de Hugo Andrade, “a valorização do detalhe construtivo. A eficiência energética da envolvente não depende apenas da espessura nominal do isolamento, mas da sua continuidade nos vãos, coberturas, fundações, platibandas e restantes pontos singulares”. Por último, “a digitalização, a rastreabilidade dos produtos, o BIM e os futuros passaportes digitais irão tornar a informação técnica e ambiental mais acessível e mais relevante na prescrição”. A resposta da Fibran Iberia às novas exigências do mercado “parte do desenvolvimento de produtos e soluções adaptados à aplicação concreta, evitando uma abordagem baseada num único produto para todas as situações”. Ao nível térmico, “trabalhamos com soluções em XPS destinadas a diferentes zonas da envolvente, com características ajustadas às exigências de resistência mecânica, exposição à humidade, geometria e utilização previstas. Paralelamente, temos vindo a reforçar o trabalho sobre a continuidade do isolamento e sobre os pontos singulares, onde pequenas falhas de projeto ou execução podem comprometer o desempenho global da solução”. No caso do desempenho acústico, “consideramos essencial analisá-lo ao nível do sistema construtivo completo. A massa dos elementos, a desacoplagem entre camadas, o tratamento das juntas, as selagens e a qualidade de execução são determinantes. A nossa intervenção passa, por isso, pela compatibilização do isolamento térmico com os restantes componentes da solução”, explica o responsável. Em termos de durabilidade, “a baixa absorção de água, a resistência mecânica e a estabilidade do XPS permitem a sua utilização em zonas particularmente exigentes, como coberturas invertidas, pavimentos, fundações e elementos em contacto com o terreno”. Por outro lado, “soluções leves e secas, como o FIBRANxps INCLINE, e componentes produzidos à medida permitem também simplificar a instalação, reduzir cargas, minimizar desperdícios e melhorar a previsibilidade da execução”. Em suma, “a redução da pegada carbónica deve resultar desta combinação entre desempenho térmico, durabilidade, otimização do material e maior vida útil das soluções”, conclui. Na Tektónica 2026, a Fibran Iberia demonstrou que a evolução da envolvente do edifício não depende apenas da melhoria individual dos materiais, mas sobretudo da forma como estes são integrados e compatibilizados nos pontos mais críticos da construção. Um dos desenvolvimentos em destaque foi o pré-aro em XPS, uma solução concebida para reforçar a continuidade do isolamento térmico no perímetro dos vãos. “As ligações entre parede, caixilharia, isolamento, selagens e revestimentos representam frequentemente zonas de descontinuidade, com potencial para originar
PERFIL 22 REPORTAGEM pontes térmicas, condensações e patologias. O expositor apresentado na feira permitiu demonstrar, à escala real, a importância de abordar o vão como um sistema integrado e não como um conjunto de componentes independentes”. A empresa destacou ainda o FIBRANxps INCLINE, integrado no Sistema OPTIMO para coberturas planas. Esta solução “permite criar a pendente necessária ao escoamento da água através de painéis de isolamento térmico inclinados, reduzindo a necessidade de recorrer a betonilhas de pendente mais pesadas. Desta forma, é possível reduzir cargas permanentes, otimizar a espessura total da cobertura e aumentar simultaneamente a sua resistência térmica”. Como sublinha Hugo Andrade, “estas soluções representam uma evolução para uma abordagem mais orientada para o projeto, para o detalhe construtivo e para a resolução de problemas concretos da envolvente”. REHAU “O nosso sistema Premium vai ao encontro das exigências do mercado em eficiência e arquitetura com vãos de maiores dimensões” Miguel Calado, diretor do departamento de Caixilharia da Rehau Window Solutions, acredita que a envolvente do edifício “está a evoluir para um conceito cada vez mais eficiente, sustentável e inteligente. A descarbonização continua a ser um dos principais motores do setor, impulsionando a procura de soluções que permitam reduzir o consumo energético e as emissões associadas ao longo de todo o ciclo de vida do edifício”. Neste contexto, “a eficiência energética já não é o único fator determinante”, afirma. “A sustentabilidade, a rastreabilidade dos materiais, a digitalização e a capacidade de adaptação às novas exigências normativas e dos utilizadores estão a assumir um papel cada vez mais relevante. Atualmente, a envolvente além de oferecer um elevado desempenho, deve ser capaz de fornecer informação, facilitar a manutenção e contribuir para uma gestão mais eficiente dos recursos”. A eficiência energética “continua a ganhar destaque como uma das principais ferramentas para melhorar o parque imobiliário existente”, enquanto “a industrialização e a integração de novas tecnologias permitem otimizar processos e aumentar a qualidade das soluções construtivas”, detalha Miguel Calado. “Na Rehau, acreditamos que o futuro da caixilharia passa pela combinação de inovação tecnológica, sustentabilidade e facilidade de utilização por parte do cliente final. A evolução da janela é um exemplo claro: deixou de ser um elemento passivo para se tornar uma parte da evolvente capaz de proporcionar eficiência, conforto, informação e valor acrescentado ao longo de toda a sua vida útil”, conclui. A resposta da empresa às atuais tendências “assenta na inovação contínua e numa visão abrangente do desempenho das janelas, quer na parte tecnológica dos sistemas de perfis quer na matéria-prima utlizada”. Um exemplo é o sistema Premium ARTEVO, concebido para atingir níveis excecionais de eficiência energética e dimensionamento. “Graças à incorporação da tecnologia LowE no interior do perfil, o isolamento térmico é significativamente melhorado sem comprometer a reciclabilidade do sistema, contribuindo para a redução do consumo energético e da pegada de carbono dos edifícios”, explica o diretor do departamento de Caixilharia da Rehau. A empresa continua a apostar no PVC como um material altamente eficiente, duradouro e totalmente reciclável, “capaz de oferecer excelentes prestações térmicas e acústicas a longo prazo”, o que “permite aumentar o conforto interior e reduzir as neces-
PERFIL 23 REPORTAGEM sidades energéticas, tanto em obras novas como em renovações”. Ao mesmo tempo, aposta em processos de produção cada vez mais eficientes em termos energéticos e numa gestão responsável dos recursos através do processo de reciclagem, “alcançando atualmente uma média de cerca de 60% de material reciclado nos perfis utilizados, contribuindo, assim, para uma redução da pegada de carbono”, avança o responsável. Na Tektónica 2026, a Rehau apresentou o seu sistema Premium mais recente, um sistema de batente de 80 mm de profundidade com tripla junta e possibilidade de colocação de vidros até 56 e até 72 mm de espessura. Como sublinha Miguel Calado, este produto “destaca-se pela composição da matéria-prima designada RAUFIPRO, um composto de PVC com fibra de vidro que confere ao perfil uma maior rigidez, possibilitando realizar vãos de maior dimensão e evitar a utilização de reforço para as medidas mais usuais no mercado nacional. A não utilização de reforço e a possibilidade de colocar o laminado LowE permite um isolamento térmico do perfil de Uf = 0,82 W/m2K e um isolamento acústico Rw de 48 dB. Além disso, a não utilização de reforço resulta num caixilho mais leve e mais fácil de transportar e instalar. A parte estética também foi considerada, apresentando-se um perfil com linhas mais retilíneas e esbeltas”. Segundo o responsável, todos estes fatores “vão ao encontro das exigências do mercado quer em termos de eficiência térmica e acústica quer em termos de arquitetura com vãos de maiores dimensões e mais esbeltos”. SAINT-GOBAIN “Reforçámos a nossa capacidade para disponibilizar soluções integradas para a construção sustentável” A envolvente do edifício “está a assumir um papel cada vez mais estratégico na resposta aos desafios da descarbonização, da eficiência energética e do conforto dos utilizadores”, corrobora Rui Oliveira diretor da Saint-Gobain Solutions Portugal. A empresa identifica “cinco grandes tendências que estão a marcar a evolução do setor”: maior exigência em desempenho energético, impulsionada pela regulamentação europeia e pelos objetivos de neutralidade carbónica; industrialização e construção leve, com sistemas mais rápidos de instalar, menos dependentes de mão de obra intensiva e mais eficientes em obra; integração de soluções, substituindo abordagens centradas em produtos isolados por sistemas completos e compatíveis entre si; redução da pegada ambiental dos edifícios, através da utilização de materiais com Declarações Ambientais de Produto (DAP) e soluções que apoiam a obtenção de certificações como BREEAM e LEED; e valorização do conforto interior, com crescente atenção ao desempenho térmico, acústico e à qualidade dos espaços. Segundo Rui Oliveira, “estas tendências estão totalmente alinhadas com a estratégia Lead & Grow, que reforça a capacidade da Saint-Gobain para desenvolver soluções integradas capazes de responder às exigências técnicas, ambientais e económicas dos projetos atuais”. Nas palavras do diretor, a resposta da empresa aos atuais desafios a nível de desempenho “passa por uma abordagem integrada, que combina diferentes tecnologias e especialidades para oferecer soluções completas para todo o ciclo da construção”. No caso da envolvente do edifício, os sistemas Enveo são um exemplo claro desta estratégia: “ao integrar isolamento em lã mineral, placas de gesso para exterior e diferentes opções de revestimento, conseguimos assegurar elevados níveis de desempenho térmico e acústico, resistência ao fogo, durabilidade e flexibilidade arquitetónica”. A rapidez de instalação “é igualmente uma prioridade, pois a construção leve permite reduzir significativamente os tempos de execução e a complexidade logística em obra, afirma, “contribuindo para ganhos de produtividade num contexto em que a disponibilidade de mão de obra continua a ser um desafio para o setor”.
PERFIL 24 REPORTAGEM Em matéria de sustentabilidade, “procuramos atuar em duas áreas: reduzir o impacto ambiental dos materiais e melhorar o desempenho dos edifícios durante a sua utilização”, refere Rui Oliveira, comentando que “soluções como o Enveo dispõem de documentação técnica reconhecida internacionalmente e contribuem para a redução das emissões de CO₂ associadas à operação dos edifícios”. A principal novidade apresentada pela Saint-Gobain na Tektónica 2026 para a área da envolvente do edifício foram, justamente, os sistemas Enveo, uma nova geração de soluções de construção leve para fachadas “que materializa a estratégia Lead & Grow e a nossa visão de soluções integradas para a construção”. Estes sistemas combinam tecnologias das marcas Isover, Placo e Weber numa única solução, “o que permite responder de forma integrada aos desafios atuais do setor: eficiência energética, rapidez de execução, desempenho técnico e sustentabilidade”. Entre os principais benefícios destacam-se “a redução de cerca de 40% do tempo de execução em obra, a diminuição significativa da logística associada, com menos 70% de movimentação de paletes, e elevados níveis de desempenho térmico, acústico e resistência ao fogo”, adianta Rui Oliveira. A Saint-Gobain Portugal tem reforçado a sua capacidade para disponibilizar soluções integradas para a construção sustentável, enquanto responde aos principais desafios que o setor enfrenta, uma abordagem que “permite atuar de forma consistente em diferentes segmentos – residencial, não residencial e infraestruturas – e em diferentes áreas do edificado”, esclarece ainda. Em linha com esta evolução estratégica, a empresa apresentou também na Tektónica as marcas de tetos Gabelex, Ecophon e Eurocoustic, os aditivos de betão e cimento da marca Chryso, a sua oferta na área dos químicos para construção - através das marcas GCP e Fosroc - que se juntam às insígnias Isover (soluções de isolamento), Placo (soluções em gesso), Weber (argamassas industriais) e Climalit (soluções em vidro duplo). Desta forma, “a nossa atuação abrange áreas fundamentais como o isolamento térmico e acústico, sistemas de construção para interiores e exteriores, soluções para fachadas e envolvente do edifício, tetos (gesso, metálicos e acústicos), pavimentos, impermeabilização, colagem e betumação e a proteção e reparação de betão, além de ir ao encontro de atividades como obras de arte de engenharia (túneis, pontes e viadutos), vias de comunicação (ferrovias e rodovias), e projetos no campo das energias renováveis”. Num momento em que “o setor é desafiado a construir melhor, mais rapidamente e com menor impacto ambiental”, a integração destas diferentes áreas de especialização “permite otimizar recursos, melhorar a produtividade em obra e reduzir a pegada carbónica dos edifícios, sem comprometer o conforto, a durabilidade ou a viabilidade económica dos projetos”, conclui Rui Oliveira. WINDOOR “Respondemos às novas exigências com o controlo vertical de toda a cadeia de valor” Na opinião de Olga Semenchenko, administradora da WinDoor, existem várias tendências que estão a moldar o setor: “as diretrizes europeias estão a elevar a fasquia regulamentar com metas de edifícios de emissões nulas e normas mínimas de desempenho térmico e acústico”. E “a digitalização dos processos produtivos e comerciais está a transformar a forma como o setor opera, embora a adoção no tecido PME tenha um longo caminho a percorrer”. Já a reabilitação do parque edificado, “envelhecido e energeticamente ineficiente, está a afirmar-se como o grande motor de procura dos próximos anos”. Também a industrialização dos processos construtivos “avança, com o desafio permanente de manter a personalização que os projetos exigem”. E, transversalmente, “a escassez de mão de obra qualificada obriga todo o setor a investir em formação e em processos mais eficientes”. Para Olga Semenchenko, “são desafios exigentes, mas que apontam numa direção clara: um setor mais profissionalizado, mais técnico e com maior valor acrescentado”. Neste contexto, a WinDoor está a responder às novas exigências “com uma estratégia assente no controlo vertical de toda a cadeia de valor”. A empresa “fabrica, envidraça e instala com equipas próprias, o que nos permite garantir desempenho, prazos e qualidade de forma integrada”, explica a administradora.
PERFIL 25 REPORTAGEM No desempenho térmico e acústico, “os nossos perfis PVC Cortizo proporcionam valores de isolamento que respondem às exigências mais avançadas do mercado. No clima português, o impacto mais imediato para o cliente é a eliminação de condensação e o conforto acústico e térmico”. Na rapidez de instalação, “a produção nacional e a integração fabril permitem-nos encurtar prazos tanto em obra nova como em reabilitação”. Já na redução da pegada carbónica, “apostamos no PVC, um material intrinsecamente isolante, com durabilidade comprovada superior a 40 anos e reciclável em fim de vida. A produção em duas fábricas em Portugal, nomeadamente Lisboa e Aveiro, reduz ainda a pegada logística associada ao transporte de produto acabado”, detalha a responsável. Segundo Olga Semenchenko, foi crucial para a WinDoor marcar presença na Tektónica 2026, onde apresentou a sua aposta em soluções de caixilharia PVC de alto desempenho, com destaque para três áreas: “no isolamento acústico, os sistemas Cortizo A70 (cinco câmaras) e A84 de folha oculta, combinados com vidro laminado acústico, permitem atingir até 46 dB de isolamento acústico. Uma resposta direta à crescente exigência urbana e a programas como o Menos Ruído, que subsidia a substituição de janelas em zonas de exposição ao ruído aeroportuário na região de Lisboa; na eficiência térmica, a série A84 atinge valores de Uw desde 0,74 W/m2K, alinhados com as metas exigentes da regulamentação europeia, numa estética minimalista de folha oculta que responde à linguagem arquitetónica contemporânea; na sustentabilidade, o PVC oferece uma equação muito competitiva: isolamento térmico intrínseco, durabilidade superior a 40 anos, manutenção mínima e reciclabilidade em fim de vida. Aliado à nossa produção 100% nacional, com duas fábricas e vidreira própria, isto traduz- -se também numa pegada logística reduzida”, sublinha. WINSIG “A principal tendência é a integração da informação” Enquanto consultora tecnológica com atuação no setor da construção, entre outros, a Winsig entende que “a envolvente do edifício está a ser marcada por uma maior exigência técnica, maior pressão sobre os custos e uma preocupação crescente com a eficiência energética, o desempenho térmico e acústico”. De acordo com Nuno Archer, CEO da empresa, “a principal tendência é a integração da informação. Face à diversidade de materiais e entidades envolvidas, já não chega gerir obras com ficheiros isolados ou informação dispersa; é necessário integrar orçamentação, compras, subempreitadas, materiais, equipamentos, mão de obra, autos de medição e controlo financeiro”. Outra tendência relevante “é a necessidade de conhecer, em tempo útil, a rentabilidade real de cada projeto para corrigir desvios antes que comprometam a margem da obra”, sublinha. Na Winsig, a digitalização é um meio para centralizar as informações no sistema de gestão Cegid PHC de forma mais rápida e ágil. Desta forma, “as empresas conseguem aliviar o trabalho administrativo das equipas operacionais e libertá-las para tarefas de valor acrescentado. Este facto é fundamental para aquelas que precisam de controlar melhor os prazos, custos, recursos e margens. No contexto da envolvente do edifício, esta capacidade é relevante porque permite maior controlo sobre a execução, os materiais, as subempreitadas, os equipamentos e os custos associados a cada obra”, comenta Nuno Archer. Na última edição da Tektónica a Winsig destacou o WIN Construção, uma solução desenvolvida pela empresa e integrada com o Cegid PHC, criada para apoiar as empresas do setor da construção na gestão das suas obras. “Esta solução permite acompanhar os custos e as receitas por projeto, controlar os autos de medição, gerir contratos de subempreitada, controlar os custos de obra, acompanhar os equipamentos e ter informação atualizada sobre o desempenho de cada projeto”, explica Nuno Archer. O principal objetivo do WIN Construção é “dar às empresas uma visão mais clara da rentabilidade de cada obra, com informação fiável, acessível, integrada e em tempo real no sistema de gestão Cegid PHC”, destaca. n
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