CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA | OPINIÃO 27 PERFIL A utilização de metodologias digitais, nomeadamente através da modelação BIM, abre igualmente novas oportunidades para as empresas do setor. A possibilidade de integrar janelas, portas e fachadas em modelos digitais, desde as fases iniciais de projeto, favorece a coordenação entre especialidades, reduz incompatibilidades nas várias especialidades e valoriza o conhecimento técnico dos fabricantes. As empresas que investirem na digitalização dos seus processos estarão mais bem preparadas para responder às exigências do mercado nos próximos anos. Contudo, a transição para um modelo de construção mais industrializado não está isenta de desafios. Muitas empresas continuam a enfrentar dificuldades relacionadas com o investimento necessário em tecnologia, automação e qualificação dos seus recursos humanos. A adoção de novas ferramentas digitais exige competências técnicas específicas e uma mudança cultural que nem sempre é fácil de concretizar. Por outro lado, subsistem ainda algumas barreiras ao nível da própria cadeia de valor da construção. A fragmentação do setor, a resistência à mudança e a contratação baseada exclusivamente no preço mais baixo continuam a limitar a adoção de soluções mais inovadoras e eficientes. A industrialização exige uma maior colaboração entre projetistas, fabricantes, construtores e donos de obra, promovendo uma lógica de parceria e criação de valor que nem sempre está enraizada nas práticas atuais, sobretudo nos modelos de gestão em Portugal. Para que possamos aproveitar plenamente os benefícios desta transformação, será fundamental que Portugal promova políticas públicas que incentivem a inovação, a modernização industrial e a reabilitação energética do parque edificado. Será igualmente importante valorizar critérios da qualidade, desempenho e sustentabilidade nos processos de contratação e investimento. Enquanto setor, devemos encarar a construção industrializada não como uma ameaça, mas como uma oportunidade para reforçar a nossa competitividade, aumentar a produtividade e afirmar o papel das janelas, portas e fachadas eficientes na construção dos edifícios do futuro. As empresas que souberem antecipar esta mudança estarão mais preparadas para responder às exigências de um mercado cada vez mais tecnológico, sustentável e orientado para a qualidade. O futuro da construção está a ser desenhado hoje. E o nosso setor tem todas as condições para ser um dos seus protagonistas, assumindo um papel central neste processo. Neste contexto, a ANFAJE continuará a assumir um papel ativo no apoio às empresas, promovendo a partilha de conhecimento e boas práticas, a qualificação técnica e o acompanhamento das principais tendências tecnológicas e regulamentares. Uma associação que pretende que as empresas estejam mais preparadas para enfrentar os desafios da industrialização da construção e aproveitar as oportunidades de crescimento, inovação e valorização que este novo paradigma oferece. n
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